quinta-feira, 12 de novembro de 2009

História e Ecologia do Parque Nacional da Chapada Diamantina

Oferecimento : Carlos Roberto Viana Vilela

O Parque Nacional da Chapada Diamantina é um dos mais fascinantes parques naturais Brasileiros. O cenário montanhoso abriga uma extraordinária variedade de ecossistemas como Cerrado, Mata Atlântica, Campos rupestres, Caatinga. As bromélias e orquídeas encontraram ai um ambiente privilegiado, adaptando-se as diferenças de clima, altitude e solo. As serras que culminam a 1700 metros no Esbarrancado(ver mapa das trilhas) oferecem sustento a Jaguatiricas, onças, mocós, veados, teiús e seriemas.

Os maciços de quartzito resistiram a erosão iniciada no Pré- Cambriano formando torres minerais ou morros. Os índios Maracás e Cariris dominaram a região antes da chegada dos primeiros bandeirantes por volta de 1750. Os morros mais representativos com altitudes médias de 1450 metros se espalham pelos municípios de Palmeiras, Lençóis e Mucugê :

O monte Tabor (Morrão), Calumbi (Morro do Camelo ), o Pai Inácio e o Morro Branco do Paty desafiam o tempo e alimentam as lendas locais.

As cidades que rodeiam o Parque Nacional abundam em prédios de arquitetura colonial, lembranças vivas da riqueza do ciclo do diamante que fez do Brasil o primeiro produtor mundial no início do século vinte.. As trilhas abertas pelos garimpeiros são percorridas hoje por amadores de trekking vindos do mundo inteiro. Ainda é possível encontrar velhos garimpeiros que conheceram a época em que as riquezas jorravam das serras.

Os principais rios da Bahia escondem suas nascentes nas encostas da Chapada, os rios Paraguaçu e de Contas cavaram profundos cânions nas serras e planícies, gerando cenários de divina beleza na Cachoeira da Fumaça, nas grutas de Iraquara e no Poço Encantado.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi decretado em 1985 e está atualmente em processo de implementação, sendo administrado pelo Ibama com sede em Palmeiras.

As associações de guias presentes em todas as localidades devem ser solicitadas para realizar qualquer roteiro dentro do Parque por razões de segurança e de proteção ao meio ambiente.

As agências de turismo, pousadas e comunidades alternativas promovem roteiros de bike, off-road, canoa, a pé e de mula além de estadias espiritualizadas com direito a cursos de permacultura e vivências de vidas passadas !

Sejam bem-vindos na Chapada, desfrute com respeito dos recursos naturais e conheça seu povo.

Mapa Rodoviário Regional

Oferecimento : Tatu na Trilha Ecoturismo

Para os motoristas que descobrem a região, umas dicas sobre o estado das estradas :

A estrada de cascalho que liga Palmeiras a Vale do Capão (Caete-Açu) acaba de ser totalmente renovada, pode ser usada por qualquer veículo em 40 minutos. Desfruta da bela paisagem desta maravilhosa estrada que passa pelo povoado de Rio Grande antes de subir até a altitude de 1100 metros na altura do Morrão.

A estrada que liga Mucugê a Palmeiras é de terra mas de boa qualidade até o povoado de Guiné (cascalho bom), o trecho Guiné Palmeiras tem que ser feito a velocidade reduzida devido a pedras sobresalientes e outras deformações. Mesmo assim o caminho é mais curto que passando por Andaraí e BR 242

A estrada que liga Abaira, Piatã e Boninal está em excelente estado até chegar na BR 242 perto de Seabra.O trecho Rio de Contas, Jussiape, Abaira é ruim, muita areia. Em Jussiape pode-se optar para o leste e alcançar Mucugê(cascalho razoável entre Jussiape e asfalto)

A estrada que liga Lençóis a Andaraí (antiga rodagem do garimpo) só pode ser feita por veículos off-road, tendo mesmo assim dificuldade na travessia dos rios Roncador e Garapa dependendo do nível das águas.

Os amadores de mountain-bike encontram na região excelentes circuitos tanto fora do Parque (as quatro vias citadas antes) que dentro dele : Trechos Lençóis/ Pai Inácio via Barro Branco, Vale do Capão / Morrão, Pai Inácio / Morrão, Guiné / Capão.....

Mapa das Trilhas do Parque Nacional

Mapa da Hidrografia Regional (Rios e Bacias)

Imagem de Satélite

Oferecimento : Tatu na Trilha Ecoturismo

GRUTAS, CAVERNAS E POÇOS

O SUBSOLO DA CHAPADA É TÃO FASCINANTE QUANTO A SUPERFÍCIE

As cavernas do Parque Espeleológico de Iraquara, perto de Palmeiras, constituem uma das maiores redes subterrâneas do Brasil. As mais visitadas são a Torrinha, a Lapa Doce, o Buraco do Cão e a Pratinha (lago de águas cristalinas com opção de mergulho em caverna e tirolesa).

A caverna Torrinha foi descoberta há poucos anos por uma associação de espeleólogos da França, o grupo Meandres e está atualmente zelada com muito carinho e profissionalismo por Eduardo Martins, dono das terras locais. Três roteiros são oferecidos ao visitante, da simples visita (roteiro 1 ) a uma descoberta completa (roteiro 3 de três horas). Esta caverna apresenta curiosidades geológicas como agulhas de Gypsita de 60 centímetros de comprimento, flores de Aragonita de tamanho inusitado e outras maravilhas que os guias locais sabem muito bem apresentar.

Mapa da Caverna Torrinha

O Poço Encantado fica no município de Itaeté, perto de Andarai (ver mapa regional), acesso por estrada asfaltada. Um raio luminoso entra na caverna de Setembro a março dando ao poço toda sua magia.

CACHOEIRA DA FUMAÇA

A Cachoeira da Fumaça è um espetáculo único no mundo pela grandiosidade e majestade do cenário. A trilha que leva até a queda tem sua origem nos garimpos de diamante do século passado espalhados nas bacias hidrográficas dos rios Capivara, Palmital, Capivarí e Caldeirão.A trilha foi em parte calçada de pedras mais recentemente para facilitar o acesso do gado que encontra nos gerais pasto farto na época da seca no sertão. A queimada periódica deste pasto causa gravíssimo impacto ambiental.

Com 380 metros de queda livre, ela é a segunda mais alta do mundo, a primeira sendo o salto Angel na Venezuela. Em época de estiagem, de maio a setembro, ela fica com pouca água e o vento leva de volta as gotinhas formando a famosa "Fumaça".

A primeira parte da trilha é relativamente íngreme mas o andarilho tem a satisfação de descobrir aos poucos um visual panorâmico sobre a serra do Rio Preto e o Vale do Capão.É preciso uma hora de caminhada para alcançar o curral. A área ao redor do curral é muito interessante por abrigar uma flora riquíssima de Bromélias, Orquídeas e Cactos.O muro de pedras serve para impedir a volta do gado que se encontra nos gerais. A partir dai a trilha é plana sem dificuldade, apresentando algumas áreas inundadas ricas em plantas carnívoras (Drosera) e matas ciliares repletas de Bromélias (Vriesas e Tillandsias). Esta área imensa e plana tem o nome de "gerais" e abriga uma fauna variada de seriemas, mocós(Kerodon rupestre), perdizes, gaviões e onça de passagem ! Uma hora suplementar para chegar na cachoeira, o tempo total de caminhada aproximando duas horas.

Chegando na cachoeira, é bom parar e respirar para se entregar ao mistério da criação. Se tiver mais gente, fale com eles, compartilhe este momento de emoção e tranqüilidade, você nunca mais vai esquecer este momento! O cãnion onde corre o rio é refúgio para uma floresta de "palmitos" e densa mata Atlântica. Após descrever uma grande curva o rio se joga no rio Capivara que segue serra abaixo até o rio São José e Paraguaçu. As gotinhas de água da cachoeira da Fumaça terminarão sua viagem na Bahia de Todos os Santos onde encontram o mar...uma linda viagem.

Tempo Caminhada Desnível total Distância Ida Altura da queda Altitude máxima
2 horas (ida) 320 metros 6 km 380 metros 1320 m

Ponto 1: Início da trilha no pé da torre de telecomunicação, uma placa do Ibama dá algumas informações sobre a trilha e o Parque. Atravessa-se vários quintais e logo começa um campo aberto de 300 metros que vai dar no início da subida da serra da Larguinha.

Ponto 2: Tempo de caminhada : 20 min. Subida dividida em três patamares bastante íngremes com um desnível total de 330 metros, esta é a parte mais árdua da trilha. Os trechos mais íngremes foram calçados para permitir a subida de animais até os campos e seus pastos naturais. Belo visual sobre o Morrão e a planície da Campina. Observem os primeiros pés de Candombá, uma planta de caule grosso e fibroso usada tradicionalmente para acender o fogão a lenha, indicando uma altitude superior a 1200 metros. Presença de cristais de quartzo no chão (Si O2). Esta trilha foi originalmente traçada pelos garimpeiros que alcançavam por aí os rios Palmital e Capivara.

Ponto 3: Tempo de caminhada : 45 min. Alcança-se o nível dos gerais num primeiro muro de pedras seguido por um trecho arenoso com belo visual sobre o vale do Capão e a serra do Rio Preto. Em seguida a trilha orienta-se para o leste onde encontra o curral.

Ponto 4:Tempo de caminhada : 1h. O curral é rodeado de um campo rupestre extremamente rico e frágil, cuidado com suas pisadas, não colha plantas! Várias espécies de Bromélias (Ortophitum burle marxii em homenagem ao genial naturalista Brasileiro) Cactos e Orquídeas caracterizam um campo de grande diversidade biológica (até 30.000 sementes por m2). Arvoredos de folhas graúdas (pau de mocó) e o Samambaiaçu (Alsophila armata) completam o visual dos tempos primordiais, há um milhão de anos.

Ponto 5, 6,7: Platô a perder de vista, os "Gerais" se estendem por três quilômetros, com zonas de brejo e travessia de vários córregos, afluentes do rio da Fumaça. Observem umas pequenas plantas vermelhas e peludinhas que fabricam visgo quando mexidas, são carnívoras (Drosera). O beija-flor de gravata vermelha (Augastes lumachellus, endêmico da Chapada) freqüenta esta área. Perto da cachoeira, é fácil avistar algum mocó (Kerodon rupestres) pequeno roedor cinza de bundinha marrom.

Ponto 8: Tempo de caminhada : 2h. Chegando ao rio de bela cor vermelha, dá para sentir as gotinhas da cachoeira que voltam para cima, trazidas pelo vento; fenômeno que deu origem ao nome "Fumaça". Muito cuidado ao se debruçar sobre o abismo de 380 metros. A floresta do fundo do cânion é remanescente de Mata Atlântica, com numerosos palmitos (Juçara, Euterpe edulis).

O rio da Fumaça se joga no rio Capivara que deságua no São José, este afluente do Paraguaçu que corre até a Bahia de Todos os Santos com a benção de todos os Orixás.

As cidades do entorno do Parque Nacional : Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê

  • Lençóis

A tradicional capital da Chapada oferece ao visitante uma boa infra-estrutura de pousadas e agências de ecoturismo. A arquitetura colonial proporciona o sentimento de mergulho no passado, ruas estreitas e coloridas nas quais è fácil imaginar os donos de garimpo de terno branco. Os casarões foram reformados com cuidado e abrigam hoje grande quantidade de lojas e botequins. Numerosos artistas escolheram a cidade para se instalar e oferecem seus trabalhos em lojas e ateliês, assim como massagistas e profissionais de esportes radicais.

O sucesso da cidade tem como inconveniente a multiplicação dos visitantes, o que em certas épocas prejudica a tranqüilidade dos passeios como o "Ribeirão do Meio", a "Cachoeirinha" ou o "Sossego". Amadores de trekking terão que ir mais longe para se sentir em paz com a natureza, evitando porém a trilha da Cachoeira da Fumaça por baixo que foi vítima de seu próprio sucesso e sofre de uma visitação em alta escala. Peça a seu guia outros roteiros, o Parque è grande e oferece muitas alternativas.

Acesso :

# Carro . A partir de Salvador, seguir até Feira de Santana e BR 116 até o entroncamento da BR 242 ( Salvador / Brasília ) seguir até o entroncamento que dá acesso à cidade.Total : 420 km

# Ônibus. de Salvador , Real Expresso, 2 horários por dia (07h30 e 23h30 chegando respectivamente as 14h e 06h).

# Avião. Aeroporto Horácio de Matos (Tanquinho) a 20 km de Lençóis, 1 vôo semanal ida e volta, no sábado, saindo de Salvador (Varig- Nordeste) . Horário de saída : 12h. Chegada : 12h40. Saída de Tanquinho : 13h15. Chegada em Salvador : 14h. Preço por pessoa, ida : R$ 208.

Altitude média : 450 metros

  • Palmeiras

Igualmente fundada na época do auge do diamante (1890), a pacata Palmeiras merece uma visita por ter alguns casarões de bela fatura principalmente ao redor da praça da igreja. Centro comercial regional, a feira de sábado è muito concorrida e traz todo tipo de artesões e caravanas de burros como antigamente. O carnaval da cidade è o único da região, trazendo foliões dos quatro cantos da Chapada. Poucos sabem que o Morro do Pai Inácio e a Cachoeira da Fumaça pertencem ao município. O desenvolvimento do município se deve atualmente ao crescimento turístico do Vale do Capão, à 20 km da sede. A "Cidade bela das Palmeiras"deve seu nome as palmeiras imperiais que ali foram plantadas no século passado. Os amadores de antropologia encontram no Matão algumas cavernas decoradas com grande variedade de pinturas rupestres. A sede do Parque Nacional da Chapada Diamantina que depende do Ibama se encontra na entrada da cidade que conta também com um hospital e um mercado municipal recém reformado tombado pelo Iphan. A partir de Palmeiras è possível pegar a estrada de terra que leva até Mucugê passando por Guiné e que oferece um visual extraordinário sobre a cordilheira do Sincorá.

Ibama : 75 33322229 Secretaria de Turismo : 75 33322211

Contato : Tatu na Trilha Ecoturismo

Hospedagem, Restaurantes, Pontos Turísticos

Na sede

Pousada da Palmeira : Tel 3332 2171- Comida caseira de Dôra, excelentes sabores
Pousada Cachoeira da Fumaça : Tel 3332 2358
Pousada da Tatau :
Hotel Globo : Tel 3332 2136

No Vale do Capão

Pousada Candombá : Tel 3344 1102 - website : http://www.infochapada.com pousada@infochapada.com . Restaurante, adega, banho de rio, chalés,Sauna
Pousada Lendas do Capão : Tel 3344 1141 - Restaurante, banho de rio, artesanato, sauna
Pousada do Capão : Tel 3344 1034 - website : Restaurante, parque, banho de rio, sauna
Pousada Tatu Feliz : Tel 3344 1124 - Na Vila de Caeté-Açu, no centro. Bom e barato
Pousada Calixto : Tel 33441187
Pousada Verde : Tel 3344 1083 - Restaurante, entrada da Cachoeira da Fumaça
Pousada Canta Galo : Tel 3344 1087 - entrada da Cachoeira da Fumaça
Pousada Sempre Viva : 33441081
Pousada Pé no Mato : 33441105. No centro, loja de material de trekking
Camping Novo Horizonte : Tel 3344 1065 - Belo visual sobre o Vale do Capão; banheiros
Camping Pomar : Tel 3344 1176 - No início da trilha da Fumaça, lanchonete
Comunidade Campina - Vida Natural e permacultura aplicada
Centro Lothlorien de Vida Natural : Tel 3344 1129 - Recebe grupos terapêuticos
Centro Riachinho : Tel 3344 1155 - Grupos de trabalhos terapêuticos, acampamentos de crianças
Comunidade Rodas do Arco Íris : Vida Natural

Restaurante de Dalva - Pasteis de palmito de Jaca
Pizzaria de Linalda - Massa fina e recheio saboroso
Restaurante de Béli - Comida caseira de qualidade

Pontos Turísticos do Município
Cachoeira da Fumaça:380 metros de queda livre, o mais fabuloso visual da Chapada -2 horas de caminhada a partir do Vale do Capão-3 dias a partir de Lençóis
Morro e Parque Municipal do Pai Inácio : O grande símbolo da Chapada, o mais visitado. Sua lenda rendeu até filme e è zelado pelas Ong's locais.
Vale do Capão : Um marco na tentativa de viver o desenvolvimento sustentável; a energia do Vale atrai os amantes da Natureza, os ecoturistas, os sonhadores...
Gerais do Vieira : Um dos altiplanos mais bonitos do Parque Nacional com vários rios e visual sobre o Vale do Pati, a duas horas de caminhada de Caeté-Açu
Morrão : o Monte Tabor domina a região com seus 1418 metros de altitude, a seus pés nascem o Mucugezinho, o Ribeirão, o Riacho da Conceição
Morro do Camelo : o Calumbi contrapõe sua massa a serra dos Brejões, formando um cenário de rara beleza. O Vale do Cercado è um refúgio natural.
Cachoeira da Conceição dos Gatos : junta ao povoado do mesmo nome, uma linda presença aquática.
Matão : povoado ainda pouco visitado que guarda o charme e a tranqüilidade do interior. Pinturas Rupestres
Cachoeira do Riachinho : pouco antes de chegar no Vale do Capão, um santuário ecológico protegido por um Parque Municipal desde 2001
Cachoeira das Rodas : a meia hora da Vila de Caeté-Açu, um show de água no meio a vegetação nativa
Poço do Gavião : após uma caminhada de duas horas se chega numa lagoa de mais de 100 metros de comprimento, uma jóia na serra do Candombá
Serra do Candombá : ela domina o Vale do Capão e oferece abundância de campos rupestres, acesso pela Vila do Bomba ou de Caeté-Açu.

Carnaval Regional, o único da Chapada Diamantina com direito a blocos, trios e muita diversão
Festa do Padroeiro (06 de Janeiro - Reis Magos)
Vaquejada, festa de Reis
  • Andaraí

A cidade foi marcada pelo garimpo que cresceu nas serras próximas até abrigar milhares de trabalhadores. A estátua na praça central comemora a todo-poderosa tradição que deixou rastros de miséria na população local. O turismo está promovendo um reaquecimento da economia com muitos jovens se dedicando ao trabalho de guia e a instalação de várias pousadas e agências de ecoturismo. A vila de Igatú è sem dúvida um dos lugares mais exóticos da região com seus muros de pedras e casas abandonadas. Vários roteiros de caminhada são possíveis, particularmente a visita ao Vale do Paty que necessita no mínimo uma noite no local e permite a descoberta de uma região totalmente isolada e de grande beleza. Outro ponto de grande interesse è o Marimbus, imensa planície alagada funcionando como refúgio ecológico para grande diversidade de aves e peixes, o passeio de barco è um must.

  • Mucugê

A antiga Santa Isabel do Paraguaçu soube conservar seu charme provinciano aliado à uma altitude de 1000 metros que confere à cidade um clima ameno.O centro de pesquisa e visitação "Sempre Viva" è passagem obrigatória para quem quer conhecer melhor a realidade ecológica regional e particularmente a florzinha que já motivou grandes saques nos gerais. A arquitetura do centro muito bem integrada ao meio ambiente valoriza a localização privilegiada. Vários hotéis de qualidade na área como o Alpina Resort e a Pousada Mucugê.

Contato : Tatu na Trilha Ecoturismo


LINKS DO INFOCHAPADA.COM

Sites relevantes sobre a região Chapada Diamantina, Ecologia e temas afins

Sites de referência para o Estado da Bahia, Turismo, Cultura, Artes

  • Bahiatursa : Site oficial do órgão de turismo do Estado da Bahia

  • Bahiaweb : Muitas informações sobre a Bahia, a ecologia, os empreendimentos turísticos institucionais

  • Bahiahoje : Para quem chega ou quem mora, um site completo de entretenimento e informação com muitas cidades do interior, não deixe de visitar

  • TopdoBrasil : Portal de informações culturais, turísticas, econômicas....completo e em vários idiomas.

  • Maplink : Guia de ruas, rodovias e mapas, pontos de GPS

  • Mochila Brasil : Um portal completíssimo para descolar uma boa dica de pousada ou de roteiro em qualquer lugar do Brasil

  • Guia Brasil : Endereço chave para o viajante que quer esclarecer um destino de ecoturismo

mais algumas Pousadas para curtir a Chapada e o litoral da Bahia

Lençóis : - Pousada de Alcino / Tel 75 33341171 - Canto das Águas / Tel 75 33341154

- Pousada Raio do Sol / Tel 75 33341242

Mucugê : - Pousada Mucugê / Tel 75 33382210 - Pousada Pé de Serra / Tel 75 33382066

Igatú : - Pedras de Igatú / Tel 75 33352281

Andaraí : - Pousada Ecológica / Tel 75 33352176

Imbassaí : - Pousada Caminho do Mar / Tel : 71 6771177

Boipeba : - Pousada Santa Clara / Tel 75 6536085

Salvador : - Pousada Ambar, na Barra, confortável e perto da praia : 71 2644956.

- Pousada Boqueirão . Santo Antonio, perto do Pelourinho Tel: 71 2412262

Chapada Diamantina - Bahia


Chapada Diamantina - Bahia

A primeira vez que estive na Chapada Diamantina foi de deixar de queixo caido. Aquelas formações rochosas eram paisagem de outro mundo, e a cidade de Lençois é simplesmente contagiante com seus casarões e seus interessantes habitantes.

Para quem chega a primeira impressão é de que se trata de uma cidade comum. Mas aos poucos se vai descobrindo a magia do local. Aí quando você se da conta, já está enfeitiçado.


Cachoeira da Fumaça por dentro do canyon

Eramos em oito pessoas. Começamos a caminhar tarde, atravessamos o escorrega e pegamos a trilha que segue do outro lado do rio. O sol estava quente e a subida era em local de nenhuma sombra. Fazia quase um ano que não chovia na região e nos disseram que possivelmente a Cachoeira da Fumaca estaria seca. Mas, mesmo seca, é um espetaculo e tanto. Caminhamos por 4 horas e resolvemos parar ao lado de um corrego. A vista da boca do canyon era linda. No outro dia, como estavamos em ritmo de Bahia, andamos um pouco mais até a Cachoeira do Palmital e passamos o dia nadando. De noite choveu muito. O rio começou a subir muito rápido e o barulho da cachoeira aumentou consideravelmente. Pela manhã corremos para ver como estava e que espetáculo: o volume de água aumentou umas 10 vezes. Ficamos imaginando como estaria a Cachoeira da Fumaça.


Cidade de Lençois
Do Palmital a triha é difícil de achar se você não conhece. Desce o rio pelo lado direito da margem ate embaixo. Depois vai por dentro do rio até a fumaça. No caminho tem vários poções para se nadar. Acampamos no braço do rio que segue para baixo da Fumaça. Existe ali uma toca que é habitada por um milhão de pernilongos. A melhor opção é a barraca.

Acordamos cedo. Depois do café da manhã fomos conhecer a Cachoeira. Que espetáculo da natureza! Ela tem 400 metros de altura e o vento faz com que suas águas dancem até chegarem ao chão.

No outro dia comecamos a subida da trilha. É super ingrime, mas a vista vale a pena. Chegamos a tardinha e acampamos perto do rio da Cachoeira. Este é um lugar em que vale a pena ficar pelo menos um dia inteiro. Tem um local do qual se tem a melhor vista, mas deixa muita gente com medo. Batizamos de "mela cueca". Não oferece perigo se você for engatinhando até a borda, mas mesmo assim a sensação é estranha. Parece que a borda inteira vai cair canyon abaixo.

Dali seguimos para o Capão, uma vila encravada dentro de um canyon, povoada por agricultores, comunidades esotéricas, hippies, mucho loucas e alienigenas. Um lugar super interessante onde vale a pena uma estadia. Existem algumas pousadas para diferentes gostos. Pode-se acampar nas comunidades também.

Se você gosta de caminhar, existem muitas trilhas interesantes para se fazer em Lençois: trilhas de horas, de um dia, de 4 dias, 8dias ....

A mais interesante em minha opinião é a da Cachoeira da Fumaçaa por baixo, depois subir e pernoitar em cima, descer para Capão e seguir para os Gerais e Andaraí. São 8 dias ou mais. Depende de quanto se quer andar por dia.


Trilhas curtas e divertidas são as que levam para o Escorrega, Cachoeira do Sossego, Cahoeira da Primavera. O Escorrega é o passeio mais popular. É super divertido. Consiste em uma pedra lisa onde se escorrega até uma piscina natural.


Alto do Pai Inácio: O frio nos pegou de surpresa. Improvisamos agasalhos com toalhas
Nos arredores de Lençois tem vários outros passeios interressantes: Poço do Diabo, uma cachoeira onde tem um bar dentro de uma caverna e de onde se pode dar mergulhos de até 30 m de altura. Pai Inácio, uma formacao da chapada com 400 m de altura. Diz a lenda que o Pai Inácio, escravo fujão, pulou de guarda chuva de lá de cima para fugir da polícia que o encurralava e não morreu. Pode-se subir quase até o topo de carro e depois continuar por uma trilha morro acima. A vista no por do sol é inesquecível.

O Poço Encantado é também um passeio imperdível. Pode-se ir de carro ou pagar um tour. É mais ou menos longe e de difícil localização, mas é um dos passeios memoráveis da Chapada. Uma gruta com um lago interno de águas super transparentes. Dá práenxergar o fundo a 50m de profundidade. Para completar a lagoa é de um azul mágico.

Um bom conselho para quem vai se aventurar pelas trilhas é nunca acampar próximo demais dos rios. Com qualquer chuva o nível da água sobe rapidamente devido a pouca infiltração no solo rochoso da Chapada. Outro conselho é ter sempre um mapa da região, que pode se adquirido no IBGE ou em Institutos Cartográficos.

Serviços

Localização: Lençois está localizado a 350 km de Salvador em pleno sertão. Próximo ao Parque Nacional da Chapada Ciamantina.

como chegar:
A partir de Salvador são 2 opções: carro ou ônibus. As condições da estrada até 1994 eram precárias, sendo aconselhavel fazer este trajeto de dia. Existem poucos postos de gasolina na estrada.

De ônibus a partir de Salvador são 7 horas de viagem. A empresa que faz este trajeto é a Paraíso, com somente dois horários: as 9hs e as 21hs. No verão partem onibus extras.

onde dormir:
Camping Lumiar, no centro da cidade, praça Afranio Peixoto. Muita sombra e árvores enormes, um local simpático e barato. Banheiros um pouco precários mas aceitáveis. As vezes funciona no local uma lanchonete que serve cafá da manhã e almoço.

Pousada Alegre, na praça Aureliano Sé. fone 334-1124. Barato e com bom café da manhã.

Café da manhã da dona joaninha: café da manhã tradicional dos mochileiros e ponto de partida de várias "trips" pela região. Ambiente acolhedor, amigável e gordo cafe da manhã. Barato, vale a pena conferir.

onde comer:
A cada ano surgem novos restaurantes. Restaurantes por quilo são uma boa opcao.

Um pouco de história de Lençois

A cidade de lençois surgiu com a febre dos diamantes em 1822. Dirigiram-se para a região grande quantidade de garimperos com suas tendas que pareciam lençois espalhadas por toda parte, daí o nome da cidade.

Dos acampamentos surgiram as cidades. Com o esgotamento das jazidas muitas cidades nos arredores de Lençois foram abandonadas. Uma bem interessante de se visitar é Xique Xique do Igatu, cidade toda de pedra que tem o apelido de Machu Pichu do Brasil.

Hoje a cidade vive de uma pequena agricultura e do turismo. Falam até na construção de um aeroporto internacional. Não existe festa de carnaval, mas uma semana antes tem uma festa muito tradicional, a do Nosso Senhor dos Passos, o padroeiro da cidade. Toda a populacao participa dançando a noite inteira. Esta festa é realizada para impedir que uma enorme serpente devore a cidade. Diz a lenda que ela vive embaixo da ponte dos arcos romanos.

Clima: Apesar de ser na Bahia, no verão pode fazer frio. No inverno com certeza em alguns dias você vai esquecer que está no sertão. No verão é seco e no inverno chove mais, mas em compensação as cachoeiras vão estar cheias.

Passeios: existem várias agências de turismo local que oferencem passeios e guias.

Alguns passeios que você não deve perder:

    *escorrega: tobogã de pedra com piscinas naturais.     *cachoeira do sossego: vale a pena conferir.     *serrano: poções perto da cidade.     *cahoeira da primavera: no caminho muitas piscinas naturais.     *cachoeira da fumaça, a maior cachoeira do Brasil (foto).     *gruta do Lapão     *gruta da Lapinha     *poço encantado: poço dentro de uma gruta com águas azuis.       Espetacular entre abril e maio. O espetáculo é maior       quando um facho de luz entra por uma fenda e o teto da       gruta fica azul.     *capão: cidade encravada dentro de um canyon, muito       interessante e com muitas comunidades.     *gerais: altiplano a 400m de altura em cima de capão     *poco do diabo: cachoeira muito linda com vários pontos       para mergulho.     *xique xique do igatu: cidade toda construída com       pedras abandonada no declinio da extração de diamantes.       Apelidada de machu pichu brasileira,     *pai inácio: uma das muitas formações rochosas da região.       expetacular vista da chapada ao por do sol.     *pratinha: rio de águas cristalinas. 

Segunda maior central solar em Portugal começa a produzir terça-feira

A segunda maior central solar fotovoltaica em Portugal começa a produzir parcialmente terça-feira em Ferreira do Alentejo (Beja), devendo começar a funcionar em pleno até final deste ano, após um investimento de quase 50 milhões de euros.

A central, com uma capacidade total instalada de 12 megawatts (MW), é hoje ligada à rede eléctrica nacional e começa a produzir terça-feira de forma parcial e com os primeiros sete MW já instalados, adiantou hoje à agência Lusa Hélder Serranho, administrador do grupo português Generg, promotor do projecto.
Segue-se a instalação dos restantes cinco MW "até final deste ano", altura em que a central deverá começar a funcionar em pleno, para produzir 21,3 gigawatts/hora de energia "limpa" por ano, "ligeiramente mais do que o consumo anual de electricidade do concelho de Ferreira do Alentejo".
Em termos de "benefícios ambientais", a central, o primeiro projecto fotovoltaico do grupo Generg e que está a ser instalada num terreno de quase 60 hectares na Herdade da Chaminé, vai evitar anualmente a importação de sete mil toneladas de fuel (cerca de 48 mil barris de petróleo não refinado) e permitir poupar 12 mil toneladas de emissões de CO2, salientou Hélder Serranho.
Quanto a impactos socioeconómicos, frisou, o projecto da central, orçado em quase 50 milhões de euros, "um dos maiores investimentos em energias renováveis no Alentejo", vai criar "seis empregos, três dos quais permanentes", além dos postos de trabalho temporários nas fases de instalação.
Hélder Serranho salientou também os benefícios sociais do projecto, frisando que o grupo Generg celebrou um contrato de direito de superfície com a Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo (SCMFA), a administradora da Herdade da Chaminé.
Através do contrato, explicou, o grupo, durante os 25 anos que a central irá funcionar ocupando cerca de 60 hectares da herdade, irá pagar uma renda anual à SCMFA que permitirá "melhorar o apoio social à população do concelho, sobretudo aos mais carenciados".
Quando estiver totalmente instalada e a funcionar em pleno, a central solar do grupo Generg, a segunda de três no concelho de Ferreira do Alentejo, será a segunda maior em Portugal, depois da maior do mundo com 46,41 MW e a produzir em pleno desde Dezembro de 2008 perto da vila de Amareleja, no concelho de Moura.
Além da central do grupo Generg, em Ferreira do Alentejo já funciona em pleno, desde Dezembro de 2008, uma da empresa Net Plan, com 1,8 MW distribuídos por cinco pequenas centrais, e está em instalação uma outra da Sociedade Ventos da Serra, com 10 MW e que deverá começar a produzir parcialmente em Junho.
No distrito de Beja, que tem a maior potência fotovoltaica licenciada em Portugal, além das três centrais de Ferreira do Alentejo e da maior do mundo na Amareleja, existem outras quatro centrais, duas em Mértola, uma em Brinches (Serpa) e outra em Almodôvar.

Bateria carrega telemóvel em 10 segundos


Dois cientistas norte-americanos desenvolveram um modelo de bateria capaz de acelerar rapidamente uma viatura ou de recarregar um telemóvel em apenas 10 segundos, segundo um estudo publicado na revista Nature.
O modelo de bateria de lithium-fer-fosfato (LiFePO4), uma vez produzido industrialmente, será mais pequena e mais leve que os modelos actuais e poderão ser recarregadas mais rapidamente, precisou um comunicado do Instituto de Tecnologias do Massachusetts (MIT, sigla em inglês), onde decorreu a investigação.
Actualmente, as baterias de LiFePO4 permitem armazenar grandes quantidades de energia mas os processos de carregamento e descarregamento demoram várias horas.
Assim, para alimentar uma viatura eléctrica, estas baterias adaptam-se de melhor forma a uma condução a velocidade constante e a acelerações súbitas.
Com a descoberta de Byoungwoo Kang e Gerbrand Ceder, investigadores do MIT, uma bateria de um carro poderá, desde que tenha um carregador adaptado, ser recarregada em cinco minutos, contra as seis a oito horas que demoram actualmente a carregar, e a de um telemóvel em 10 segundos.







sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Na gestão de informação, computação, comunicação e edição, a Química usa hoje intensivamente e com uma especificidade muito própria, as principais funcionalidades dos computadores



QUÍMIO-INFORMATICA. CONTEÚDOS QUE RUGE ENSINAR.
RESUMO
Na gestão de informação, computação, comunicação e edição, a Química usa hoje intensivamente e com uma especificidade muito própria, as principais funcionalidades dos computadores. O aproveitamento da cada vez mais abundante informação química requer o desenvolvimento constante de metodologias novas, que não pode ser feito sem uma forte formação em Química e sólidos conhecimentos de Informática. A existência de uma gama extensa de software para Química exige dos potenciais utilizadores conhecimentos específicos sobretudo ao nível dos métodos envolvidos. Por tudo isto, sugere-se a incorporação de conteúdos de Quimio-informática no sistema de ensino universitário e são propostos temas a tratar nesse contexto.


INTRODUÇÃO
A rápida disseminação de suportes electrónicos para arquivo de informação, o desenvolvimento da instrumentação laboratorial, nomeadamente no sentido da automatização e da miniaturização e o aparecimento de novas técnicas como a química combinatorial e HTS (high-throughput screening) provocaram nos últimos anos uma verdadeira explosão na produção de informação química. Uma empresa farmacêutica média que realize HTS pode produzir resultados de dezenas de milhar de experiências por dia. O Chemical Abstracts adiciona actualmente cerca de 900 000 novos compostos por ano à sua base de dados. Isto requer tecnologias eficientes para arquivo e acesso a dados; o problema mais sério que se põe é o de como, para uma dada aplicação, desprezar o ”ruído” e usar a informação útil. Mais ainda, a utilização desta informação permite estabelecer correlações, aprender, extrair conhecimento, objectivos que só são alcançáveis usando metodologias computacionais e de inteligência artificial.
Por outro lado, a Internet trouxe possibilidades inovadoras de comunicação, de colaboração à distância e de acesso a vastíssimas fontes de informação, o que tem contribuido para a implementação de estratégias de representação e manuseamento de informação específicas da Química.
Simultaneamente tem-se observado um extraordinário incremento do poder computacional e uma notável sofisticação das técnicas de computação em Química. A modelação molecular tornou-se clássica, ganhou honras de prémio Nobel e a “Química Teórica” estabeleceu-se como um reconhecido ramo da Química.
Os frutos obtidos em todas estas frentes estão acessíveis ao químico experimental comum através de software de fácil utilização para os sistemas operativos que lhe são familiares e através de interfaces WWW. São ferramentas que invadiram gradualmente os laboratórios (e os universos mentais) e que se estão a impor mesmo aos químicos avessos à modernidade electrónica. Mas são utilizadas na maioria dos casos como caixas negras que ora fazem milagres, ora produzem resultados sem sentido!
Discute-se que nome dar a esta área nova, na fronteira entre a Química e a Informática, que aplica e desenvolve sistemas de informação, algoritmos, técnicas computacionais e métodos estatísticos para problemas de Química. “Cheminformatics”, que aqui traduzo por Quimio-informática, é a designação que vai sendo mais consensualmente aceite. “Química Computacional” é uma expressão ainda usada como sinónimo, embora seja normalmente conotada com a utilização de software (como o Gaussian, MOPAC, DOCK, Autodock,...) para modelação molecular.
Em todo o mundo industrializado, a indústria química e farmacêutica que faz investigação e desenvolvimento, utiliza fortemente recursos de Quimio-informática, mas tem dificuldade em encontrar especialistas na área. Os informáticos raramente têm apetência para a Química e os químicos sabem normalmente muito pouco de Informática. Para suprir estas necessidades, estão a implementar-se rapidamente cursos de mestrado em Quimio-informática, sendo os pioneiros os da Universidade de Sheffield (Reino Unido), UMIST (Universidade de Manchester, Reino Unido) e IUPUI (Universidade de Indiana-Purdue, E.U.A.). A nível de pré-graduação, incorporaram-se já disciplinas de Quimio-informática em numerosas Universidades.
E enquanto tudo isto acontece, que adaptações sofrem os conteúdos das licenciaturas de Química nas Universidades Portuguesas ? Que formação é proporcionada aos alunos portugueses nestas tecnologias ? Não são tecnologias futuristas, nem distantes, nem inacessíveis, nem caras… São exigidas por qualquer químico que queira hoje produzir um relatório, manusear um espectro, fazer pesquisa bibliográfica, analisar resultados obtidos, fazer previsões para os problemas que tem em mão…
O presente artigo pretende ser, por um lado, uma reflexão sobre as intervenções possíveis e necessárias no campo da Quimio-informática nas instituições de ensino superior em Portugal e, por outro, um contributo para o planeamento dos cursos deste tipo que inevitavelmente vão ser criados.


A SITUAÇÃO PORTUGUESA
A quimio-informática e a bio-informática têm sido consistentemente nos últimos anos áreas científicas com excesso de procura de mão-de-obra face à oferta existente. A necessidade deste tipo de especialistas tem origem nas indústrias química e farmacêutica que fazem investigação de novos produtos e que utilizam nesse processo métodos computacionais e técnicas intensivas baseadas em informação. É essa a razão por que o fenómeno não aconteceu ainda em Portugal, onde aquelas indústrias não têm tradicionalmente dimensão para desenvolver produtos novos. No entanto, a tendência da indústria multinacional para recorrer ao outsourcing também na investigação, e a abundante mão-de-obra científica formada em Portugal na última década, permitem perguntar se não haverá oportunidade para empresas de investigação portuguesas...
Tradicionalmente tem-se exigido aos químicos ‘conhecimentos de informática na óptica do utilizador’ e, mesmo esses, não lhes são normalmente fornecidos pelas universidades que frequentam. Conhecimentos e capacidades muito mais vastos nesta área vão ser necessários no futuro próximo à medida que os métodos computacionais em Química se desenvolvem e estabelecem, que o volume de informação química disponível começa a ser reconhecido e que a instrumentação gera e arquiva mais e mais dados. A computação vai rapidamente permeando os métodos de decisão, as técnicas laboratoriais, os métodos de avaliação de resultados. Se numa primeira fase o fenómeno se centrou na indústria de inovação aplicada, ele vai estender-se ao ensino, à investigação fundamental, à optimização de processos e aos sistemas de controlo de qualidade, áreas que empregam a maioria dos químicos em Portugal.
Onde ir buscar profissionais com competências nesta área ? O problema pôs-se há décadas, em pequena escala, nos grupos académicos pioneiros da Quimio-informática. Nessa primeira geração recorreu-se normalmente a químicos que adquiriram conhecimentos de informática de forma mais ou menos estruturada. O problema estendeu-se à indústria, em grande escala, quando esta adoptou metodologias computacionais, e tem sido resolvido por químicos com formação complementar em matemática ou informática.
No contexto actual exige-se uma resposta mais sistematizada por parte das instituições de ensino e, nos EUA e Reino Unido, estão a criar-se cursos de mestrado em Quimio-informática e cadeiras nesta área a incluir nos cursos de graduação.
Em Portugal, a criação de disciplinas de Quimio-informática nas licenciaturas de Química parece, por tudo o que acima se disse, urgente. Já a criação de mestrados será provavelmente desajustada no panorama presente. Para além do mais, o recrutamento para este campo, de licenciados em Química, será sempre uma estratégia com poucos frutos. Sempre serão raros os químicos que, depois de uma licenciatura em Química de 4 ou 5 anos, decidirem entrar numa área com tão forte componente de Informática. O mesmo problema acontece em Biologia, para encontrar cientistas na área da Bio-informática.
Por outro lado, seria muito mais fácil propor a finalistas do ensino secundário uma licenciatura em Bio- e Quimio-informática cujos conteúdos principais seriam a Química, a Biologia e a Informática. A licenciatura daria formação básica em Biologia e em Química, com ênfase na instrumentação e nas aplicações informáticas; e daria formação sistemática em Informática. Produziria licenciados com formação e motivação próprias para trabalhar em Bio-informática e em Quimio-informática; mas forneceria também profissionais para empregos mais frequentemente oferecidos nas áreas comerciais e de controlo de qualidade de empresas químicas e farmacêuticas, e mesmo para empregos na área da informática. Outra alternativa é a criação de um ramo de Bio- e Quimio-informática em licenciaturas de Química ou Biologia. Mas será algum destes caminhos possível, em tempo de diminuição de número de alunos, num sistema universitário cansado de licenciaturas com nomes novos e problemas velhos ?...
Mais fácil será talvez introduzir cadeiras de Quimio-informática nas licenciaturas de Química e criar cursos de formação profissional nesta área. Embora com nomes diversos, em várias universidades portuguesas têm sido incluidas matérias de informática e computação em algumas disciplinas de Química, ainda que de forma pouco abrangente (existindo ainda licenciaturas em Departamentos nacionais de prestígio sem uma disciplina de Química Computacional). As aproximações já feitas são resumidamente as seguintes:
a) Disciplinas de Química Teórica que tratam da teoria subjacente aos métodos de modelação molecular (química quântica, soluções aproximadas da equação de Schrödinger, modelo de Hückel, método de Hartree-Fock,...). Incluem conteúdos de termodinâmica estatística, teoria de grupos e por vezes também de tratamento de erros.
b) Disciplinas de Química Computacional ou de Modelação Molecular que têm por vezes conteúdos sobreponíveis aos de cadeiras de Química Teórica. Incidem especialmente sobre 1) aplicações de cálculos quânticos e de campos de forças empíricos ao estudo de mecanismos reaccionais e de interacções ligando-receptor; 2) dinâmica molecular; 3) generalidades sobre sistemas operativos e programação.
c) Disciplinas de Quimiometria que tratam de aplicações de estatística e redes neuronais à análise de dados químicos. Aplicações de referência são a classificação de amostras a partir de análises com múltiplas variáveis e o estabelecimento de relações entre estrutura molecular e função.
d) Disciplinas de Documentação Científica que abordam, para além das fontes tradicionais de informação ‘em papel’, as fontes de informação química na Internet e em suportes digitais.
e) Disciplinas de Química várias em cujos programas os docentes incluiram a utilização de software aplicado às respectivas matérias.


PROPOSTAS DE CONTEÚDOS
Sem entrar em pormenores quanto às restruturações necessárias nas disciplinas existentes, proponho de seguida pistas de conteúdos que deveriam ser ensinados sistematicamente em disciplinas de Quimio-informática.
Edição e visualização de informação química. Através de editores moleculares (por exemplo ChemDraw, ISIS Draw ou applets Marvin em Java) criam-se e editam-se ficheiros electrónicos contendo estruturas químicas. Estruturas 2D ou 3D de moléculas simples ou de macromoléculas, assim como cromatogramas ou espectros, são visualizados através de programas próprios, de que existem muitos exemplos, gratuitos ou comerciais.
Para apresentação de informação na WWW usam-se principalmente documentos HTML, que podem ser editados com editores próprios, e que podem incorporar, de forma interactiva, estruturas químicas 2D ou 3D e espectros, por exemplo utilizando o plug-in Chime para browsers de WWW. Tem sido desenvolvida uma linguagem própria para codificação de informação química (CML – Chemical Mark-up Language) tendo em vista sobretudo a Internet. Estruturas e propriedades moleculares podem ser visualizadas em ambiente de realidade virtual usando o formato VRML. Informação química pode ser transmitida por email e reconhecida automaticamente pelo cliente de email de modo a utilizar editores ou visualizadores adequados. Tal é possível pela utilização de MIME químico.
Arquivo de informação química. A essência de uma estrutura molecular está na identidade dos seus átomos, nas ligações que estabelecem entre si e na orientação espacial destas. Têm sido propostas várias maneiras de codificar esta informação e existem consequentemente vários formatos e tipos de ficheiros em que são arquivadas estruturas moleculares. Entre os mais comuns estão os ficheiros .mol e .pdb. Também a informação espectroscópica é representada em formatos próprios que usam frequentemente estratégias para reduzir o tamanho dos ficheiros necessários. Há uma tendência para que o formato JCAMP se torne um padrão.
Volumes grandes de informação arquivam-se de preferência em bases de dados. Existem vários sistemas para a construção de bases de dados com informação química (como o ChemFinder, ISIS Base, CACTVS, ACD SpecManager) que permitem arquivar estruturas químicas, reacções, propriedades numéricas ou alfanuméricas, fórmulas, espectros. Vários tipos de pesquisas podem ser efectuadas, sendo específicas da Química as pesquisas de sub-estruturas, de sub-espectros, de reacções ou de semelhança estrutural. Através de bases de dados relacionais pode incorporar-se informação existente em várias bases de dados.
Computação química. Através de métodos estatísticos e de redes neuronais é possível estabelecer correlações entre estrutura química e propriedade molecular (QSPR) ou entre estrutura química e actividade biológica (QSAR). Para tal, é frequente representar estruturas químicas por números, mais concretamente por um número fixo de parâmetros. Tem-se desenvolvido uma grande variedade de descritores moleculares baseados principalmente em grafos moleculares, em propriedades físico-químicas, ou em características geométricas.
A utilização de descritores moleculares, de impressões digitais moleculares e de outros tipos de códigos permite analisar o grau de diversidade estrutural existente num conjunto de compostos, o que é frequentemente útil no design de bibliotecas combinatoriais. Por outro lado permite estabelecer medidas de semelhança estrutural entre duas ou mais moléculas.
A aplicação mais clássica da computação química consiste no recurso à mecânica molecular ou à mecânica quântica para o cálculo de propriedades termodinâmicas de compostos e reacções. Vários tipos de programas estão disponíveis, com aproximações de vários níveis e têm tido muitas aplicações no design de fármacos e de reacções.
Algoritmos muito utilizados são os algoritmos evolucionários, principalmente os algoritmos genéticos. Simulam a evolução de uma população em que os indivíduos com características mais desejáveis sobrevivem e reproduzem-se, fazendo sobressair, ao fim de várias gerações, as características que tornam os indivíduos mais aptos. São utilizados para problemas de optimização e têm tido aplicação desde a análise conformacional até à selecção de descritores moleculares mais adequados ao estabelecimento de QSAR.
Bases de dados com informação bioquímica. Estes tipos de bases de dados têm a especificidade de conterem principalmente estruturas 3D de macromoléculas biológicas, sequências (de aminoácidos ou ácidos nucleicos) e vias metabólicas. É de especial relevo neste contexto o projecto do genoma humano. A análise para extrair conhecimentos relevantes destas bases de dados envolve algoritmos e software para alinhamento de sequências, pesquisa de semelhanças, estimativa de árvores filogenéticas, previsão estrutural e inferência funcional.
Fontes de informação química. O aparecimento e omnipresença da Internet veio revolucionar as fontes de informação a que os químicos têm acesso., Para além de inúmeras fontes novas, também as antigas (revistas, enciclopédias, catálogos, índices) migraram ou tendem a migrar (pelo menos em regime complementar) para a Internet. Estão disponíveis bases de dados espectroscópicas e estruturais, toxicológicas e de segurança, de reacções químicas, de propriedades moleculares e catálogos comerciais. Existem ferramentas comerciais de pesquisa bibliográfica (como o Chemical Abstracts ou o Beilstein) mas também sites gratuitos como o da Ingenta (herdeiro do BIDS e do Uncover) ou o Medline, e serviços de alerta. Outra fonte formidável de informação disponível gratuitamente na Internet e frequentemente esquecida nas Universidades são as bases de dados de patentes. E as revistas científicas tradicionais estão presentes na Internet a par com outras revistas exclusivamente electrónicas.
Comunicação em Química. As comunidades virtuais de químicos na Internet têm tomado formas variadas. Nas mailing lists (ou listserv) a comunicação funciona por email sendo cada mensagem distribuida por todos os membros da lista. Um exemplo é a ORGLISTmailing list internacional de Química Orgânica, que tem sede em Portugal. Nos bulletin boards os membros da comunidade podem entrar num web site para visualizar as mensagens publicadas e criar as suas próprias mensagens. Os newsgroups são os mais antigos, têm um protocolo próprio e as mensagens são públicas. Na ChemWeb, os membros têm acesso a fora de discussão, a uma biblioteca, bases de dados, reportagens sobre congressos, informação sobre emprego, ou centro comercial. Idealmente a interacção com outros químicos numa comunidade virtual permite a consulta rápida à “base de dados” estabelecida pela ligação em rede dos conhecimentos dos químicos envolvidos. Para além disso, os arquivos das mensagens trocadas nestas comunidades, quando existem e são pesquisáveis, constituem fontes de informação valiosas.
Mas os canais mais consistentes para a disseminação de informação química de qualidade continuam a ser as publicações com sistema de refereeing. Estas têm posto na Internet muitas das suas funcionalidades, incluindo a possibilidade de publicar material de forma interactiva, impossível no suporte de papel. A submissão de artigos tende a ser feita preferencialmente por email ou por transferência de ficheiros num web site e os artigos podem muitas vezes ser consultados na WWW pelos assinantes, havendo várias soluções consoante os editores. Normalmente o material suplementar dos artigos está disponível gratuitamente na WWW. É também frequente as revistas proporcionarem pesquisas nos abstracts ou nos títulos dos seus artigos em arquivo, sendo estas pesquisas alargadas, em alguns casos, a todas as revistas de um mesmo editor (como no caso da ACS)


CONCLUSÃO
A Quimio-informática é uma área emergente que utiliza métodos computacionais para problemas de Química. Tem sido intensamente utilizada pela indústria química e farmacêutica na descoberta de novos produtos e tem trazido interpretações novas a questões científicas fundamentais. A presença destes conteúdos no ensino universitário da Química em Portugal é escassa e a sua incorporação ao nível da graduação e pós-graduação deve ter em consideração a) o panorama nacional e europeu de emprego para químicos e cientistas; b) que muitos destes métodos passaram já para o núcleo dos métodos básicos da Química. Neste artigo são lançadas pistas de reflexão sobre o assunto.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Trio Elétrico

Carnal, lúdico, dilacerador, espiritualizado, físico, o Carnaval da Bahia é a maior festa urbana do Brasil, criada e mantida pelo povo. Uma manifestação espontânea, criadora, livre, pura, onde todos são—com maior ou menor competência—sambistas, frevistas, loucos dançarinos, na emoção suada atrás do som estridente, eletrizante, do trio. Ou no ritmo calmo, forte, tranqüilizante, orientalizado, do afoxé, incorporado num só movimento. Um ato de entrega, de transe e êxtase, de liberação de todas as tensões reprimidas e da envolvência absoluta entre o real e o fantástico, capaz de, num único e frenético impulso, balançar o chão da praça.

Na Bahia, são cinco dias de folia, que começa na sexta-feira, quando o Rei Momo recebe, em praça pública, as chaves simbólicas da cidade, depois de desfilar, em carro aberto, com a rainha e princesas, pelas ruas centrais da cidade. A ordem de "alegria geral" do Rei é cumprida literalmente e o delírio começa quando aparece ao longe, descendo a ladeira no sentido da praça Castro Alves, o primeiro trio elétrico. A impressão que se tem é que todas as cabeças do mundo avançam em volta do objeto luminoso e o povo se deixa possuir pelo som eletrico do dono da rua, o maior símbolo desse_Carnaval.

O trio e a praça Castro Alves são o Carnaval. A praça é o maior momento do trio, o território livre, o clímax. Se o trio pode tudo, na praça tudo é possível. A história do trio é bem anterior, apesar da praça já existir. Mas não se transavam. Foi o poeta Caetano Veloso que redimensionou o som do trio, e do próprio Carnaval, a invenção do diabo que Deus abençoou, e determinou: "A praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião." Caetano queria "um frevo novo" e teve mais que isso: uma praçadepúblicoheterogêneo,do gay power, artistas, intelectuais e do povo, os reais tietes do som do trio elétrico.

SENTIMENTO DA BAHIA

Mas o trio não pertence à praça, nem é exclusivo do seu público. A concretude do seu som faz o Carnaval que envolve toda a cidade: a Barra—início da orla marítima—até a Praça da Sé—no Centro Histórico de Salvador—além dos bairros que mantêm com peculiaridade própria a sua festa. Tecnicamente, o trio elétrico é somente som e luz sobre uma base física que o viabiliza (e que inclui algo tão prosaico como um caminhão). Tem quem afirme que a multidão que ele arrasta é apenas uma turba enlouquecida que se envolve de corpo e alma na dança frenética, no agitar de braços e pernas, em pulos que respondem o ritmo do trio. Mas quem já foi atrás do trio elétrico sabe que não é nada disso e entende porque ele é a síntese do Carnaval da Bahia, ou, mais ainda, porque ele diz de um sentimento da Bahia.

Foi em 1938 que surgiu a idéia do trio elétrico, quando Dodô (Adolfo Nascimento), radiotécnico e músico, e Osmar (Osmar Macedo), inventor e músico, se conheceram tocando em programada rádio, ao lado de Dorival Caymmi, entre outros nomes já famosos da época. Dodô, estudioso de eletrônica, pesquisava uma forma de amplificar o som dos instrumentos de corda, o que só conseguiu em 1948, com o aperfeiçoamento do violão maciço, que eliminava a dissonância e a distorção, principais problemas dos violões elétricos conhecidos. Em 1950, pela primeira vez, a eletricidade incorporou-se ao Carnaval baiano.

Inspirados pelo Vassourinhas—Academia de Frevo do Recife—que, de passagem para o Rio de Janeiro, se apresentou em Salvador, Dodô e Osmar resolveram sair durante o Carnaval, tocando aqueles frevos pernambucanos, com seus instrumentos e amplificadores. Assim, em cima de um fubica—um Ford 1949—equipado com dois alto-falantes, eles se apresentaram nas ruas da cidade, como a dupla elétrica. Foi um sucesso, mas havia resistências, principalmente da classe média que não gostava da "molecada" que ia atras da dupla.

Mas Dodô e Osmar não desistiram. No ano seguinte 1951, melhoraram sensivelmente a qualidade do som e, com o surgimento de um terceiro músico, Temistocles Aragão,formava-se o trio elétrico. Em 1952, um fato novo: a empresa Fratelli Vita (fabricante de refrigerantes e cristais), percebendo o sucesso e a popularidade do conjunto, resolveu patrocinar o trio, colocando-o num caminhão festivamente decorado. O êxito foi estrondoso e o trio acabaria tempos mais tarde sendo definitivamente glorificado pelo então tropicalista Caetano Veloso: "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu."

LÁ VEM O TRIO

O trio elétrico de Dodô e Osmar fez escola. Dodô morreu e está ausente do Carnaval desde 1979, sendo substituído por Armandinho, filho de Osmar, que sempre afirma que quando morrer quer ser levado por todos os trios no "cortejo fúnebre mais alegre que já se viu". A mesma busca de perfeição acompanha o trio elétrico Tapajós, há mais de 20 anos animando o Carnaval baiano, sendo que, ao longo desse tempo, já conquistou dois tricampeonatos. O trio Tapajós surgiu em 1959, no subúrbio de Periperi,ele surgiu em 62 quando, pela primeira vez, foi ao centro da cidade. Hoje, ele é uma empresa. Mantém cinco carros sendo que apenas um permanece em Salvador e os outros vão para o sul do País.

Durante esse período surgiram outros trios: Marajós, Tupinambás, Saborosa, Ypiranga, 5 Irmãos e, já há alguns anos, vem merecendo destaque o trio elétrico do ex-conjunto musical Novos Baianos que todo Carnaval reúne os seus antigos integrantes, Pepeu Gomes, Baby, Paulinho Bocade Cantor, e sai no maior auê agitando esse Carnaval, sem tempo nem hora, com todo o espaço e muita pauleira. Todos esses trios fazem o Carnaval da cidade, circulando e puxando a multidão, que quer pular independente de qualquer integração a blocos ou outras entidades carnavalescas.

Foram criados, também, os trios détricos (e mini-trios) que saem ligados a blocos e cordões. $ão verdadeiros palcos instalados sobre grandes caminhões, com excelente capacidade de sonorização, luz, cor e efeitos especiais. Destacam-se os dos blocos Eva, Trás os Montes, Cheiro de Amor Camaleão, Pinel, com suas bandas possantes, que enlouquecem não apenas os integrantes do bloco mas os foliões de uma maneira geral, que são obrigados a se contentar em pular fora do espaço fisico ocupado pelo bloco, geralmente garantido através de uma corda de isolamento mantida por seguranças especiais.

MANDA DESCER...

"Omolu, Ogum, Oxum, Oxumaré, Todo o pessoal, Manda descerpra ver, "filhos de Ghandi". (Gilberto Gil). Nada é comparável a quem vem de um trio elétrico, suor escorrendo pelo corpo, a carne exposta, o corpo aberto e bate de frente com um afoxé, naquela atitude pastoral, fechada, enchendo a rua com a sua força. "Dá vontade de chorar, você sente aquela calma, aquele arrepio percorrendo o corpo, aquela força tomando conta de você. Esse é o lado espiritual, orientalizado do Carnaval, o equilíbrio", como afirma o cantor e compositor Gilberto, o mais célebre integrante do afoxé Filhos de Ghandi.

O afoxé, explica o professor e historiador Cid Teixeira, é um bloco carnavalesco, uma brincadeira de forma, conteúdo e comportamento específico tendo em vista que os seus membros foliões estão vinculados a um terreiro de candomblé, unidos por uma religião, pelo uso de uma língua, dança, ritmos e códigos de origem nagô. Além disso, tem, fundamentalmente, consciência de grupo, comunidade de valores e hábitos que o distingue de qualquer outro tipo de bloco ou cordão. Os laços lúdicos religiosos que congregam as pessoas no afoxé importam, antes de mais nada, pela manutenção de valores culturais ligados ao afoxé e suas tradições africanas, transportadas para a Bahia, adaptadas e assimiladas dentro de uma nova realidade.

Atualmente, entre todos, Filhos de Gandhi é o mais famoso. Com sua roupa branca, seu turbante felpudo, na sua maioria é composto por negros, homens de origem humilde, operários, ligados aos inúmeros terreiros de candomblé da Bahia. Mas o primeiro grupo de afoxé saiu às ruas em 1895 e mostrava aos foliões de Salvador as pectos dos ritos do candomblé. A partir dessa época surgiram muitos outros vindos dos bairros de Brot,as, Engenho Velho, Soledade, Santana e Aguade Meninos, destacando-sea Chegada Africana e os Filhos da Africa como os mais representativos. O Clube de Pândegos da África, surgido em 1897, fez também muito sucesso.

FORÇA E NEGRITUDE

Mas o Carnaval da Bahia é ainda rico pela força de outras manifestações culturais, como são os blocos afro, cadaano em quantidade maior e alguns, já conhecidos nacionalmente, como é o caso do llê Aiyê. Outros estão crescendo e criando fama, a exemplo do Malê Debalê, do Araketu, ObáLaiyê e Puxada Carnavalesca Axé. A força desses blocos está na cultura negra, na beleza e plasticidade de suas sambistas, na própria fantasia e na alegria dos se,us temas, sempre homenageando a "mãe Africa", e na harmonia de suas baterias, puxadas, geralmente, por ágeis mãos negras, no som sincopado dos atabaques. Culturalmente, eles representam a força viva da negritude na Bahia e o Carnaval é a forma mais pungente de fazer ecoar o seu grito de liberdade.

Outros blocos e cordões fazem do Carnaval uma festa que Ihes permite mostrar a sua força e união. Nesse caso, destaca-se o Apaches do Tororó, com mais de mil homens empunhando machados e cânticos de amor contra a guerra, na categoria de blocos índios. Existem outros: Cacique do Garcia, Comanches, Guaranys e Tupys. Todos representam segmentos de uma camada mais baixa da população e, por isso mesmo, são de uma alegria contagiante, de um samba forte, autêntico, com suas negras e mulatas sambando no pé, de tangas, missangas e colares.

Esfuziantes e descompromissados—a não ser com o direito de brincar—estão os outros cordões e blocos formados por jovens da classe média. Existem os que sempre se apresentam com fantasias sofisticadas (Os Internacionais, Corujas, Lord's) e os que preferem a simplicidade e o comodismo de mortalhas ou macacões (Trás os Montes, Cheiro de Amor, Eva, Camaleão, Jacu, Filhos do Barão). Há ainda os que, ferindo os padrões normais, desfilam tra vestidos de mulheres, homenageando algumas minorias, as prostitutas e os travestis e dando ao Carnaval a irreverência e humor indispensáveis.

CONQUISTA DO POVO

Importado através do Entrudo, uma festa portuguesa de uma violência inconseqüente, acapadoçada, sem ritmo e sem riso, diz a história, o Carnaval da Bahia criou a sua própria maneira de ser, bem diferente das origens herdadas. Verdade que nas últimas décadas do século passado não era assim. Era um Carnaval elitista, feito para a classe média, com desfile das Sociedades Carnavalescas Fantoches da Euterpe e Cruz Vermelha (Cruzeiro da Vitória), as principais, seguidas do Inocentes em Progresso e Democrata. Copiando o que acontecia na Europa, essas entidades saíam pelas ruas centrais de Salvador, com carros alegóricos, rainhas e princesas, além das alas dos cavaleiros, uniformizados como soldados e oficiais romanos, destacando-se o arauto.

Na década de 40, o povo não participava desse tipo de Carnaval-espetáculo. No máximo, surgiam de vez em quando em áreas da avenida Sete de Setembro, São Pedro, Piedade e Mercês, jamais chegando ao Campo Grande locais nobres da cidade) as batucadas, os bandos de índios, os tímidos afoxés (grupos de homens com seu ritmo lento, com suas máscaras de traços africanos, alguns recobertos de palhas de coqueiros, usando apenas instrumentos de percussão, os pés calosos, agora no asfalto). O povo se divertia em áreas delimitadas: Baixa dos Sapateiros (onde se concentra o Comércio mais popular de Salvador) e Terreiro de Jesus (que integra o Centro Histórico da cidade). Aos poucos, porém, as camadas populares foram ocupando espaços na Sé, Praça Municipal, rua Chile, alcançando a praça Castro Alves, locais onde a festa acontece com toda a força por ser o Centro de Salvador, fazendo o verdadeiro Carnaval da Bahia que acontece hoje.

A pagã Carnen Lévare (abstinência da came, data que designava a véspera de Quarta-feira de Cinzas), herança dos bacanais, lupercais e saturnais romanos, aqui se realiza através da espontaneidade popular, orientada pelos organismos governamentais que atuam respeitando a vontade do povo. O Carnaval da Bahia, na verdade, começa quando o sol de amarelo Oxum brilha no céu, anunciando a festa do verão baiano, com muito samba, festa de largo, a partir do dia maior, Santa Bárbara, Iansã, no sincretismo religioso, senhora das nuvens de chumbo, deusa dos relâmpagos, rainha dos raios e das tempestades, que segura o tempo até o Carnaval chegar.

RONALDO MACEDO BAHIATURSA

The Electric Trio - Bahia

By improvising an electric sound at the top of an old 1949 car to participate in the 1950 carnival of Bahia, Adolfo Nascimento (Dodô) and Osmar Macêdo could not imagine that they were creating the most authentic representative of the best street carnival in the country. At first, it was called electric pair and only in the next year—after the joining of Reginaldo Silva the name was changed to "electric trio".

Nowadays, the "electric trio" has become a fantastic machine of sound and light, capable of dragging a multitude of up to 20,000 people. The most famous "electric trios" are: "Armandinho, Dodô and Osmar"; "Tapajos". "Papa-léguas"; "Banda Eva"; "Pinel"; "Novos Bárbaros" and "Chiclete com Banana". An electric trio has got up to 3,500 lamps 68 amplifiers, producing each one 650 watts of sound which feed 206 loudspeakers, 58 trumpets and 68 tweeters. The generator has got the power for 90 kVA which is enough to illuminate a city of 15,000 inhabitants. The instruments used are: bass, electronic battery, guitars and contrabass.

RONALDO MACEDO Advisory of Social Communication - BAHIATURSA - Tourism Enterprise in the State of Bahia

Os Bonecos de Olinda

No Carnaval de Pernambuco, sobretudo na cidade de Olinda, existe um grupo que difere das tradicionais troças, dos Blocos e dos Clubes de Frevo, sem prejuízo na sua função alegre e animadora. São os Clubes de alegorias e críticas ou "Clubes de Bonecos", como popularmente são conhecidos. Suas origens confundem-se com as influências das diversas manifestações culturais que provocaram o aparecimento do entrudo lusitano, aportado aqui através do colonizador europeu, e, mais tarde, transformado no carnaval que hoje se apresenta colorido, animado, contagiante.

As alegorias presentes nos clubes de bo necos de Olinda apresentam duas particularidades etnológicas na sua formação: a máscara e o gigante. A história registra, em quase todas as culturas conhecidas, o emprego de máscaras durante cerimônias religiosas, folguedos de plantio e colheita e na representação das artes cênicas. Na Africa ela tinha função mística e terrífica . No Brasil era generalizado o seu uso entre indígenas, embora não tenha alcançado popularidade entre os colonizadores.

Em Olinda aconteceu a identificação dessas influências culturais com o espírito carnavalesco do povo. Em 1932 foliões liderados por Benedito Bernardino da Silva fundaram o Clube de Alegoria e Crítica, "Homem da Meia-noite", onde a principal figura é um boneco com 3,5 metros de altura, confeccionado pelo milenar processo do "papier maché." Por sair à zero hora do sábado gordo, a agremiação alcançou a tradicionalidade de abrir oficialmente o carnaval olindense, onde uma multidão aguarda ansiosamente pelo início do desfile que percorre as ruas e ladeiras seculares da cidade. Ao contrário dos outros grupos, os clubes de bonecos não possuem bandeira ou estandarte. A única e principal alegoria é o boneco transformado na identidade inconfundível do grupo, que também se caracteriza pela ausência de fantasias, paetês, missangas e lantejoulas. Outra particularidade do Homem da Meia noite é a indumentária dos componentes das agremiações, apenas uma camisa de fibra de algodão com o nome do clube e o ano do desfile estampados no peito. O ponto alto desses grupos são as orquestras com que se apresentam. Logo observa-se que não se trata de um folguedo para se ver mas, principalmente, e, por excelência, para se acompanhar, dançar o frevo, participar de uma alegria incomparável. No entanto, não é só durante o período carnavalesco que os bonecos vão as ruas. Nos movimentos políticos, nas comemorações de aniversário da cidade e, eventualmente, em solenidades especiais há a oportunidade de se conviver com a alegria transbordante dos clubes de alegorias e críticas ou os bonecos de Olinda.

JOÃO BATISTA DE MELO EMPETUR

The Puppets from Olinda - Pernambuco

During carnival time in the State of Pernambuco, specially in the city of Olinda, some groups stand out due to their animation and originality. They are the Allegories and Criticims's Groups or "Clubs of Puppets" as they are popularly known.

In 1932, people from Olinda created the Club "Midnight Man" where the main image is a puppet which is around three and a half meters high and made up by the old process of "papier-mâché". Due to the habit they have of going out on Saturday at midnight, the association has achieved the tradition of officially opening the carnival of Olinda, where a multitude wait eagerly for the beginning of the parade which passes through secular streets and hillsides of the city.

Another high point of the puppets' parade is the orchestra which goes with them keeping score with "frevos" and marches. Due to the characteristics of spontaneity and cheerfulness, the Clubs of Puppets are followed by thousands of people who sing and dance in an unique enthusiasm.

JOÃO BATISTA DE MELO Manager of Divulgation of EMPETUR - Tourism Enterprise in the State of Pernambuco

As Escolas de Samba

Existem Escolas de Samba em quase todas as cidades brasileiras e também no exterior (Londres, Nova lorque, Tóquio etc) mas, iguais às do Rio de Janeiro, não há. Suas matrizes são cariocas. Elas nasceram em fins da década de 20 e início da década de 30 e se formaram, inicialmente, mirando-se nos exemplos dos Ranchos Carnavalescos e das Grandes Sociedades, para depois tomarem identidades-próprias. Porém suas origens verdadeiras foram os Blocos C,arnavalescos. O que é Escola de Samba? Opera de rua? Dança dramática? Folclore?

Não há quem consiga definir a Escola de Samba simplesmente porque não existe um modelo fixo. As Escolas de Samba da década de 30 pouco têm a ver com as Escolas de Samba de hoje:

  • Para que a Escola de Samba tenha vida legal são necessários:
  • 1—Estatutos Sociais registrados em Cartório
  • 2—Sede administrativa e quadra de ensaios
  • 3—Diretoria Constituída
  • 4—Licença da Delegacia de Polícia
  • 5—Filiação em Entidade Representativa

Há duas Entidades Representativas na cidade do Rio de Janeiro: a Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) e Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (AESCRJ).

A LIESA, a mais nova (fundada em 23/07/84) tem sob sua responsabilidade os desfiles do Grupo Especial e a AESCRJ, a mais antiga (fundada em 05/03/52), dirige os desfiles dos Grupos de Base (I-II-III e Acesso). Apenas a AESCRJ aceita filiações de novas Escolas de Samba, no Grupo de Acesso.

Há, na cidade do Rio de Janeiro, 58 Escolas de Samba para o carnaval 91: 16 Escolas de Samba do Grupo Especial e 42 Escolas de Samba dos Grupos de Base (Grupo I-12, Grupo II-12, Grupo III-10 e Grupo Acesso-8).

As Escolas de Samba se relacionam oficialmente com o Poder Público (Prefeitura) através da RIOTUR (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro) criada pela Lei 2.072, de 1972.

Engana-se quem pensa que as Escolas de Samba simplesmente acontecem, como num passe de mágica, nos dias de carnaval. Um longo e prolongado trabalho se desenvolve durante o ano inteiro, nas quadras de ensaios e nos barracões, tempo de gestação necessário para a criação da mais extraordinária manifestação artística popular do mundo.

As Escolas de Samba são formadas por contingentes humanos compostos em média por mil a cinco mil desfilantes, chamados sambistas. Em meio a adereços e fantasias os sambistas desfilam fantasiados isolados (passistas, mestre-sala e porta' bandeira, destaques) ou agrupados (alas) sambando e dançando sob a sustenção rítmica de uma "orquestra", formada exclusivamente por instrumentos de percussão (bateria). Durante 80 minutos o desfile se desenvolve sob a forma processional.

J.G. Machado calcula que a indústria cultural carnavalesca produz uma atividade subsidiária de economia formal e informal em tomo de 200 milhões de dólares/ano sem contar os efeitos multiplicadores desse mercado. As Escolas de Samba são responsáveis, aproximadamente, por 80% desse movimento. Isso tudo somente foi possível após a construção do Sambódromo, em 1984. Escolas de Samba como Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija-flor, Mocidade Independente, Império Serrano, Vila Isabel, nha do Governador, Estácio, Imperatriz Leopoldinense e outras estão incluídas entre as que despertam maiores interesses mercadológicos.

"Escolas de Samba" - Rio de Janeiro

The "Escolas de Sarnba" are made up of thousands of people— usually between one and five thousand—called "sambistas." Adorned with sumptuous fancy dresses and ornaments, they march isolated or gathered together in rows, dancing in the rhythm of an "orchestra" composed exclusively of percussion instruments. The parade of each " Escola de Samba" lasts for about 80 minutes and happens during the four days of carnival.

The "Escolas de Samba" were originated in Rio de Janeiro as the result of the huge growth of smaller groups (clubs). It is hard to define them for they are a combination of street opera dramatic dance and folklore display. For Rio de Janeiro 1991 parade, fifty-eight "Escolas de Samba" are enrolled constituting what can be considered "the biggest show in the world".

HIRAN ARAÚJO Adviser of the Technical Directorate - RIOTUR

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